24 de maio de 2018

Final da Liga dos Campeões: Antevisão

Real Madrid e Liverpool são os protagonistas para o evento mais aguardado do futebol europeu que se irá realizar em Kiev no próxima sábado – 26 de Maio – pelas 19h45. O domínio dos madrilenos tem sido quase total, com 3 conquistas nas últimas 4 edições (esta pode ser a 3ª de forma consecutiva). Por outro lado, o Liverpool volta a disputar uma Final da Liga dos Campeões depois do célebre embate de Istambul em 2005, onde acabou por bater o AC Milan nas grandes penalidades. Outro foco do encontro será o duelo Cristiano Ronaldo vs Mohamed Salah, duelo esse que poderá ser o principal “trampolim” para a corrida à bola de ouro.



Mais do que nunca, quando se fala em Liga dos Campeões, é difícil não mencionar o Real Madrid. Ano após ano, a capacidade da equipa se superar a si mesma tem sido colocada em questão, mas a verdade é que voltam a estar, mais uma vez, no momento mais decisivo da temporada. Já ninguém parece duvidar daquele é o grande objetivo de Florentino Perez. Se as vitórias na Champions têm sido muito saudadas e reveladoras de um projeto de muitos milhões, o mesmo não se pode dizer em relação ao trajeto do clube no campeonato. São apenas 2 as vitórias nos últimos 10 anos de La Liga. Ainda assim, este não parece ser um fator que preocupa muito a massa associativa.

Verdade seja dita, não tem havido grande evolução no jogo dos blancos, Zidane parece continuar a confiar no seu núcleo forte e na capacidade que estes experientes jogadores têm para decidir uma partida a qualquer momento. As idas ao mercado já não têm provocado mexidas significativas e a aposta parece passar pelos mais jovens, uma clara ideia de que o futuro pós-Ronaldo não está tão longe quanto isso. A idade começa a “pesar” naquelas que são as principais figuras do sistema e, talvez por isso, pareçam mais talhados para eliminatórias, onde a rotatividade não se adivinha tão importante, e não para provas que exijam um elevado grau de consistência.

Demasiado cedo, foi assim que o Real abandonou a corrida pelo título espanhol na presente temporada, facilmente aproveitado pelo eterno rival da Catalunha. Resultados terríveis atrás de grandes deceções, não faziam acreditar que o clube chegaria a nova Final de uma competição como a Liga dos Campeões. As coisas pareciam complicar-se logo à partida, uma vez que Tottenham e Borussia Dortmund tinham calhado em “sorte” na fase de grupos. Um Borussia muito esmorecido, contudo, facilitou e muito o trabalho de Ronaldo e companhia que ultrapassaram esta fase mesmo sem ganhar qualquer encontro aos ingleses.

Nova fase, novo desafio. No duelo dos milhões, o adversário dos oitavos de final foi o PSG de Neymar e tantos outros “galáticos” - como gostam de chamar em Espanha. Mais uma vez, a tarefa revelou-se mais fácil do que o esperado. Duas partidas completamente dominadas pelos merengues foram o espelho de uma equipa que consegue mudar o chip quando entra em campo para esta competição, e de outra que continua a fracassar ao mais alto nível, talvez em virtude do menos exigente campeonato francês. A grande história deste percurso estava guardada para as duas eliminatórias seguintes.

Primeiro a Juventus, a agora heptacampeã italiana. Para grande surpresa da maioria, uma série de erros defensivos permitiram ao Real sair de Turim com uma vantagem confortável, 3-0 foi o resultado. Para a memória fica o fantástico pontapé de bicleta de Ronaldo, a coisa parecia resolvida. Errado, a Juve transforma-se na visita ao Bernabéu e, apanhando de surpresa uma equipa estranhamente apática e relaxada, a eliminatória chega mesmo a estar empatada. Já na compensação do encontro, Benatia comete penalti sobre Vazquez e... checkmate! Depois, o colosso alemão, o hexacampeão Bayern de Munique. Foram duas “batalhas” extremamente duras e interessantes de assistir e, apesar de se ter deixado bater em casa, o Bayern de Jupp Heynckes parece ter feito o suficiente para marcar presença na Final de Kiev. A estrelinha voltou a sorrir aos homens do costume.


Quanto ao Liverpool, o patamar é efetivamente outro e começa agora a “colher os frutos” de um verdadeiro projeto. Jürgen Klopp chega em 2015 com um só objetivo, devolver ao clube os tempos de glória e os títulos que têm fugido de forma clara nos últimos anos. Apesar de ainda serem visíveis algumas lacunas importantes, as bases estão criadas e vão sendo cimentadas com o aglomerar da própria experiência. A equipa chegou, inclusive, a disputar a Final da Liga Europa em 2016, perdendo no entanto para o “dono e senhor” da competição - o Sevilla. Os reds não conseguiram, nessa mesma temporada, qualificar-se para as competições europeias mas responderam com uma ótima campanha na Premier League que lhes valeu um lugar nesta edição da Liga dos Campões.

Ainda que a cultura e a mentalidade de qualquer equipa inglesa passe pelo foco na conquista da principal competição doméstica, a falta de consistência e a inexperiência de Klopp (em Inglaterra) têm abrandado bastante esse processo. A “turma” do alemão até apresenta um excelente rácio no que toca ao confronto com os rivais diretos, mas os resultados não são os mesmos quando falamos de equipas mais modestas e aguerridas da metade inferior da tabela. Desde cedo se percebeu que o trio Mané-Firmino-Salah dava cartas e conta de um ataque muito temido, mas é no momento defensivo que têm surgido as principais dores de cabeça.

O sorteio da fase de grupos não podia ter sido melhor para esta equipa do Liverpool. O “carrasco” Sevilla e o Spartak de Moscovo eram os adversários mais complicados, se é isso que lhe podemos chamar e, apesar de algum desconforto em torno da possível saída de Coutinho (que acabaria por se concretizar) e dos contínuos problemas defensivos que se amontoavam, as contas acabaram por ser fáceis fazer. Os ingleses carimbaram a passagem à fase seguinte e nota ainda para a contratação recorde do central Van Dijk (ex-Southampton) no mercado de inverno que, obviamente não resolvendo todas as lacunas, foi uma excelente adição ao plantel.

Nos oitavos de final, mais fácil ainda. O Porto deixou-se levar pelo plano de contra-ataque em que os reds se sentem mais do que confortáveis, e foram surpreendidos no Dragão com 5 golos sem resposta. A 2ª mão não foi mais do que mero calendário. Na ronda seguinte estava reservado um duelo de ingleses. Ainda que o grande favoritismo tivesse sido atribuído ao City de Guardiola, o Liverpool comprovou a teoria de que nos “jogos grandes” a concentração é outra e até a defesa funciona às mil maravilhas. A transição atacante voltou a deliciar os seus adeptos que viram a equipa vencer os dois confrontos de forma inequívoca.

Uma viagem a Roma estava marcada para uma inesperada meia final. A reviravolta histórica do conjunto italiano frente ao “todo poderoso” Barcelona fazia prever um embate extremamente intenso e complicado. Todavia, o ambiente em Anfiel, aliado à rapidez e energia da equipa da casa, é quase impossível de conter. 5-2 foi o resultado da 1ª mão. Resultado volumoso mas que ia ficando curto face à resposta impetuosa que os romanos empregaram no seu terreno. Se a partida tivesse mais 10 minutos, o finalista provavelmente seria outro... a defesa continua a precisar de melhorar.


A motivação parece estar em alta para ambos os lados da “barricada” e, ao que tudo indica, teremos uma bela Final da mais importante competição europeia. Golos, jogo fluído de parte a parte e lances de enorme criatividade, é isto que se espera e que empolga qualquer adepto de futebol. O Real Madrid, mais uma vez, irá deixar a qualidade exibicional para segundo plano, o importante é vencer. Já o Liverpool, com 84 golos marcados na Premier League e mais 40 nesta edição da Liga dos Campeões, parece ter o know how completo de como fazer mexer a rede adversária.

O conjunto inglês optará, como quase sempre, por jogar no contra-ataque, com trocas de bola rápidas e a tentar chegar o quanto antes à área adversária. Com o foco nos flancos, a “ordem da noite” é para rematar sempre que possível. A grande dúvida, como já referimos, passará pela capacidade (ou falta dela) da equipa em travar o forte e conhecido ataque madrileno. Por sua vez, o histórico clube espanhol deverá ter vantagem na luta pelo meio campo e parte do controlo passará pela forma cautelosa como irá gerir as movimentações do trio de "motas" do adversário.

Já conhecidas as lesões de Chamberlain, Matip e Joe Gomez, a potencial ausência de Firmino pode ser um dos fatores chave para as contas finais. A 100% é como se vai apresentar o plantel do Real Madrid. Apesar do inevitável favoritismo dos "pupilos" de Zidane, consideramos que este é um jogo de fecho completamente imprevisível e que pode cair para qualquer um dos lados. Adivinha-se sim um grande espetáculo, repleto de artistas e protagonistas de grande classe, com os telespetadores agarrados ao sofá até ao último apito do juíz da partida.

Tendo em conta o "dom" de cada um dos ataques para faturar, vai ser maior a ganância de marcar ou a vontade para não sofrer?

21 de maio de 2018

Rescaldo SERIE A

Se, ao olhar para a classificação final da serie A fica com a impressão de já ter visto este "filme" em algum lado, é porque, de facto, já viu... O mesmo campeão e os mesmos perseguidores, embora em posições alternadas.


Mais um scudetto para a vecchia signora (o sétimo consecutivo), mas não se pense que foram favas contadas. Este ano não tivemos uma Juve tão forte, e por muito que se queira evitar falar em condicionantes extra-futebol, não podemos não constatar que dá a ideia de haver um "cefalópode transalpino" a controlar o cálcio italiano.

A equipa de Massimiliano Allegri tem, sem dúvida, a estrutura mais completa e eficaz do futebol italiano. Nomear jogadores como Dybala, Higuaín, Pjanic e Douglas Costa seria não reconhecer que o forte desta equipa é o conjunto. Allegri a demonstrar que está um passo à frente da concorrência, montando uma verdadeira fortaleza!

Uma nota para a despedida de Gianluigi Buffon das balizas italianas, ele que é o expoente máximo da melhor escola de guarda-redes do mundo. É difícil encontrar herdeiros à altura quando se tem a qualidade deste senhor.

O Napoli, com a tiffoseria mais calorosa da Serie A não conseguiu juntar a eficácia ao belo jogo que praticou. É uma pena ver uma equipa que faz 91 pontos acabar em segundo, mas a matemática não liga à estética. Foram a equipa que melhor jogou mas a falta de opções no plantel para uma época tão exigente ditou este desfecho.
Insigne, Mertens e Hamsik são de outro "mundo", mas têm pouca gente à sua volta para dar o salto de qualidade necessário para outros voos.

Bem mais distante do título ficou a Roma. No primeiro ano pós Totti, a equipa da capital orientada por Eusebio Di Francesco, conseguiu praticar um futebol agradável, com De Rossi ainda aí para as curvas, com o outro filho da casa, Florenzi, a seguir cada vez mais os passos dos eternos "capitani", com Nainggolan sempre uma máqina a comandar a engrenagem da equipa, e com o miúdo turco que ninguém conhecia, de seu nome Under, a mostrar que tem um dos pés esquerdos mais promissores do campeonato! Na retina dos adeptos vai perdurar por muitos anos a forma absolutamente memorável como eliminaram o todo-poderoso Barcelona nos quartos-de-final da Champions.

o 4º e último lugar dá acesso à tão desejada Champions (e aos seus milhões) acabou por ser conquistado pelo Inter de Milão de forma espectacular, ao vencer por 2-3 em pleno Olimpo de Roma a Lázio, roubando o lugar aos biancocelesti.

Os interisti conseguiram superar a má fase por que passaram nos meses de Inverno e acabaram por recuperar o terreno perdido, alcançando o objectivo a que se propuseram. Mas este não pode ser um ponto de chegada, mas sim de partida para uma nova época, com desafios à altura da história deste grande clube.

De destacar mais uma época soberba de Icardi, com 29 golos que fazem dele, a par de Immobile, o melhor marcador da prova. Destaque também para Skriniar, um dos melhores centrais da prova.

A Lázio, que foi brilhantemente orientada por Simone Inzaghi, apresentou um futebol muito ofensivo que a levou a ser o ataque mais prolífico com 89 golos, mas também uma defesa permeável que custou bastantes pontos.

Destaque nos laziale: O incontornável Ciro Immobile que, com os mesmos 9 golos de Icardi, acaba como melhor marcador da prova; e também Milinkovic Savic, o sérvio de 23 anos é já um dos melhores médios europeus e vai ser difícil mante-lo no plantel

O outro gigante de Milão conseguiu ser mais forte do que a Atalanta e a Fiorentina na recta final e isso valeu-lhe a entrada na fase de grupos da Liga Europa da próxima época. mas isto nunca pode ser mais do que um prémio de consolação para uma equipa com este historial e que era apontada, no início da época, como uma das candidatas a acabar com o reinado da Juventus.

O miúdo Cutrone, vindo dos júniores, foi o elemento em maior destaque na frente dos rossoneri, numa equipa que viveu muito dos rasgos individuais de Suso e de Calhanoglu. Gattuso veio trazer à equipa a raça que o caracteriza mas falta mais, muito mais...

Também na Lombardia encontramos a Atalanta, onde o mister Gasperini produziu mais um milagre esta época. Os nerazzurri de Bérgamo praticaram um futebol dos mais espectaculares de Itália, foram longe na Liga Europa, e conseguiram de novo o apuramento para a Europa este ano!

os dois magos Ilicic e Gomez são meia equipa, mas Spinazzola, Caldra, Cristante e Freuler estiveram em destaque.

A Fiorentina foi quem perdeu a corrida europeia. Os viola hipotecaram tudo ao perder em casa com o Cagliari na penúltima jornada. A época dos homens orientados por Pioli fica marcada pela morte de Davide Astori. O internacional italiano era o capitão de uma equipa recheada de jovens talentos que vão ter um grande futuro como Benassi, Gil Dias, Chiesa e Simeone.

Os granata do Torino estiveram uns furos abaixo daquilo que se esperava deles, um pouco à imagem de Belotti que marcou apenas 10 golos esta época. Destaque para Iago Falqué e para Baselli, um médio inteligente que tem pés para outros voos.

Entre as equipas de Génova, a Sampdoria com 54 pontos levou a melhor sobre os rivais do Genoa que se ficaram pelos 41 pontos. Muito trabalho para ser feito no Luigi Ferraris.

Udinese e Bologna eram duas equipas de quem se esperava mais no início do campeonato mas que acabaram por fazer uma carreira modesta, terminando com 40 e 39 pontos respectivamente.


Entre as ditas "pequenas", destaque para o Sassuolo que bem cedo garantiu a manutenção e para o Chievo. Equipas pequenas, com pouca massa adepta, mas que têm conseguido apresentar plantéis coesos e capazes.

O Cagliari tinha um calendário complicado mas a histórica equipa da Sardenha acabou por se salvar com duas vitórias nos dois últimos jogos.

A Spal, de Ferrara, e o Crotone praticaram bom futebol tendo em conta a constante aflição em que estavam metidos, mas a equipa do sul de Itália, orientada por Walter Zenga, não conseguiu repetir o milagre da época passada, e assim, vai voltar à Serie B. A Spal salvou-se e vai continuar entre os grandes.

Quem também regressa ao escalão inferior é o Verona e o Benevento, resultado da desastrosa preparação dos respectivos plantéis no passado defeso. Os campanos do Benevento ainda tentaram remediar as coisas e fizeram uma 2º volta interessante, mas com apenas 1 ponto ao fim de 15 jornadas, era quase impossível evitar a descida nesta sua época de estreia no escalão principal.

18 de maio de 2018

Final da FA Cup: Antevisão

Manchester United e Chelsea vão encontrar-se em Wembley pela 3ª vez numa final da FA Cup - 19 de Maio, 17h15 - e procuram desempatar um parcial que, para já, conta com uma vitória para cada lado (curiosamente, a Final ganha pelo Chelsea foi sob o comando do agora rival José Mourinho). No conto geral, o United já amealhou 12 destes troféus e o Chelsea 7.



O conjunto que parece chegar a esta fase com os níveis de confiança mais estabilizados é o Manchester United e é por ele que começamos a nossa análise. Depois de uma temporada de estreia em que José Mourinho logrou conquistar 3 títulos, com especial destaque para mais uma glória europeia, a FA Cup surge agora como "salvação" para esta nova época em que volta a deixar escapar o título da Premier League. Além disso, a participação na Liga dos Campeões deixou muito a desejar, tendo em conta aquilo que são as expetativas para um clube que gastou nada mais, nada menos, do que 350M em transferências desde a chegada do técnico a Old Trafford.

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A par disto, os métodos, a filosofia e o estilo de jogo têm sido alvo de muitas críticas, não só pelos analistas, mas também pela própria massa adepta. Os resultados até têm sido melhores que as exibições e, apesar do grande objetivo passar por regressar ao topo do pódio na Liga, a possível conquista da Taça devolve alguma dose de paciência aos mais fanáticos e transmite também maior segurança para o futuro que passa por desenvolver novamente uma mentalidade vencedora.

Contudo, se é verdade que o futebol da equipa por si só não convence, também é verdade que, nestas ocasiões, não há ninguém melhor do que José Mourinho para estar encarregue do "leme". Senão vejamos, no seu já vasto histórico de finais, o respeitado técnico levou a melhor em 12 de 14 tentativas. "As finais não se jogam, ganham-se", um verdadeiro mestre do psicológico cujo dicionário não contempla nada que se pareça com insucesso.

Uma equipa coesa, fechada atrás, a jogar no contra ataque e sem qualquer problema em entregar as despesas do jogo ao adversário, é isto que se vê e que se espera do United em qualquer partida. Os jogadores chave são normalmente os extremos que são aqueles que mais têm de adaptar a sua postura face ao oponente. Caso este se apresente mais compacto e com linhas mais recuadas, os homens mais abertos dos red devils terão de baixar mais para entrar em cena, enquanto Pogba toma conta das saídas de bola dentro do próprio meio campo. Nota ainda para Lukaku, Fellaini e Martial que estão em dúvida para a grande Final.


Por sua vez, a atmosfera que se vive em Stamford Bridge é completamente diferente. O Chelsea de 17/18 em nada ou quase nada faz lembrar o Campeão da temporada passada. Desde cedo e durante toda a época, a equipa não mostrou qualquer sinal de consistência, ora com boas exibições, ora a passar completamente ao lado do jogo. Os motivos para a falta de resultados são vários e passam, não só por uma série de contratações que falharam em integrar o sistema, mas também pela própria relação entre treinador e jogadores.

António Conte tem uma personalidade muito forte e isso pode ter consequências muito diferentes. Há um ano atrás estávamos todos a elogiar a forma como o seu estilo "feroz" e "apaixonante" afetava a postura da equipa no relvado, mas hoje o momento e o ambiente parecem ser outros. Ao que tudo indica, e segundo rumores que têm vindo a ganhar relevo ao longo da temporada, o técnico italiano irá mesmo deixar o clube, independentemente do resultado de sábado. Conhecendo a sua mentalidade de quem não gosta de perder, "nem a feijões", certamente que irá procurar sair pela porta grande com mais um título para colocar na prateleira.

Mais difícil, ultimamente, é avaliar os processos da própria equipa dentro de campo. Não mais o Chelsea é aquela máquina de contra ataque puro, mas sim uma verdadeira "caixinha de surpresas", nem sempre muito agradáveis. Só esta época, já vimos os blues a tomar conta do jogo e a assumir a posse durante largos períodos do mesmo; a funcionarem no contra golpe à base de criatividade e futebol rápido/fluído como bem nos habituaram; e também a transparecerem uma atitude apática e uma linguagem corporal meramente estática. 

Ainda assim, apesar dos últimos 2 desaires para a Premier League, em que a armada de Conte mostrou clara falta de ambição, os jogadores têm-se exibido com alguma qualidade. Pressão eficiente com um bloco bem posicionado e sem abrir muitos espaços, para que os adversários sintam dificuldade em penetrar, a jogar com um ritmo mais elevado, a trocar de bola de pé para pé e a sair bem das pressões, jogando a toda a largura do campo. Este é o Chelsea que se espera para o derradeiro e último desafio.


Numa visão mais transparente desta que será uma partida com desfecho bastante imprevisível, parece-nos que existem fatores mais fiáveis e que terão maior influência do que outros. O segredo de Mourinho para estas ocasiões é conseguir passar aos seus jogadores a ideia de que é "só mais um jogo", aliviando-lhes o peso nos ombros e transmitindo alguma descontração para retirar deles todo o seu potencial. Dedicação, compromisso e atenção ao detalhe são outras das suas armas que fazem de si um excelente motivador.

Fundamental para o Chelsea será o último terço do terreno, lugar onde são uma equipa que adora jogar em constantes tabelas e sempre de olho no último passe (ou cruzamento tenso) a rasgar para os seus principais velocistas. O bom uso de uma referência atacante, como Giroud, que saiba movimentar-se dentro de área, que seja forte, lute e atraia atenções para si, será também muito importante para desbloquear a defesa contrária. Hazard e Willian terão direito a um papel mais solto, com "bandeira verde" para desequilibrar, e pisarão muito terrenos mais interiores para favorecer o passe curto e libertar espaço para os laterais.

A nossa previsão final é de que o Manchester United terá melhores condições para levar de vencida esta Final, ainda que de forma algo "sofrida". Dada a capacidade de ambos os lados para fazer mexer o marcador, o nosso palpite vai para uma vitória do United pela margem mínima, vitória essa que poderá aparecer já fora do tempo regulamentar (eventual prolongamento).

Terá o Chelsea engenho suficiente para furar os planos do técnico português, ou a paciência de Mourinho voltará a dar os seus frutos?  

15 de maio de 2018

Final da Liga Europa: Antevisão

A Final vai disputar-se em Lyon - dia 16 de Maio, pelas 19h45 - e opõe Atlético de Madrid e Marselha. Enquanto os espanhóis podem alcançar a sua 3ª conquista na competição (vitórias em 2010 e 2012), os franceses tentam a sua 1ª glória após saírem derrotados das finais de 1999 e 2004.


Desde que Diego Simeone assumiu o comando dos colchoneros em 2011, além de ter apresentado um nível bastante elevado e consistente de resultados em comparação com os sucessos (ou falta deles) de épocas anteriores, a equipa tem sido presença assídua nos palcos das grandes decisões. Por seu lado, o Marselha surge aqui como uma aparição algo surpreendente face àquilo que têm sido anos menos famosos do histórico clube gaulês.


Começamos então a nossa análise por aqueles que têm recebido um maior número de seguidores no passado recente, o Atlético de Madrid. Depois de campanhas extremamente positivas na máxima competição da UEFA em 2014 e 2016, atingindo a finalíssima em ambas as ocasiões (contudo, perdidas para o grande rival de Madrid), esta não foi uma edição que vá ficar na memória dos adeptos. A equipa deixou-se bater pela AS Roma e pelo Chelsea e acabou por cair de forma prematura na fase de grupos.

Se na Liga dos Campeões os pupilos de Simeone não entravam no lote dos grandes favoritos, na Liga Europa eram eles próprios a encabeçar um grupo muito restrito de verdadeiras candidaturas. Esta premissa ganhou ainda mais relevo a partir do momento em que o Barcelona tomou quase por garantida a liderança de La Liga, permitindo assim uma gestão mais cautelosa e adequada de todo o plantel para o resto da temporada.

Relativamente ao trajeto até à final, o Atlético de Madrid bateu de forma tranquila o Lokomotiv de Moscovo e o FC Copenhaga nas duas primeiras rondas do "mata-mata", encontrando depois o Sporting nos quartos de final. Verdade seja dita, os portugueses foram aqueles que mais perto estiveram de causar uma enorme surpresa com 2 jogos de grande categoria. Já nas meias finais, o oponente parecia ser o outro grande aspirante à conquista do troféu, mas os londrinos do Arsenal mostraram sempre pouco ímpeto numa eliminatória que teve tudo para correr a seu favor.

Quanto ao futebol propriamente dito, o estilo tático do conjunto espanhol é bem conhecido e dos mais estudados por toda a comunidade aficionada. Excelente organização defensiva, bloco relativamente alto e pressão intensa, sempre à procura do erro no adversário de forma a premiar a sua grande arma, o contra ataque. Apesar de a espaços também assistirmos a um Atlético mais solto e ofensivo, principalmente em momentos mais intermédios do jogo, aquele que se verá na final de quarta feira será muito à imagem da "fortaleza" a que Godín e companhia tão bem já nos habituaram.


Do outro lado do campo vai estar uma equipa que, ao contrário da 1ª, entrou na competição desde cedo. Em virtude da reputação e investimento feito na qualidade do plantel, a candidatura dos franceses, apesar de menos relevante, foi sempre tida em conta por um simples motivo. A Ligue 1 está cada vez mais competitiva e a luta pelos "apetitosos" 2+1 lugares de acesso à liga milionária adivinhava-se dramática. A conquista de uma competição como a Liga Europa garante esse mesmo acesso e certamente que ninguém da Direção desviou a atenção dessa possibilidade.

A equipa de Rudi Garcia até nem teve um começo de temporada positivo, muito pelo contrário. Os resultados teimavam em não aparecer e o nível exibicional estava longe de convencer os adeptos que chegaram a entoar as suas vozes de desagrado. Prova disso mesmo foi a fraca prestação logo na fase de grupos, cujo apuramento esteve inclusive em risco. Já na 2ª metade da temporada, os jogadores do Marselha parecem ter finalmente encontrado o seu próprio "elixir". Maior objetividade, determinação e foco aliados à fluidez imposta pelos seus maiores criativos, tornaram assim o clube do sul de França num dos mais temidos da competição.

A travessia, contudo, foi mais complicada do que aquilo que seria de esperar. SC Braga e Athelic Bilbao foram os adversários do 16-avos e oitavos de final, respetivamente, e foram aqueles que menos estragos causaram pelo caminho. Seguiu-se o RB Leipzig que, apesar de muito competentes e aguerridos até então, demonstraram poucos argumentos para levar de vencida a eliminatória. Mesmo depois da derrota (injusta) pela margem mínima na Alemanha, a 2ª mão foi um autêntico "atropelo" por parte dos franceses que se destacaram por uns expressivos 5-2.

O verdadeiro teste estava guardado para as meias finais. O jovem plantel do Salzburg vinha jogando um futebol delicioso e só mesmo alguma falta de maturidade e um Marselha duro de roer poderiam terminar com as suas aspirações. As expetativas não desfraldaram e ambos os jogos terminaram com vitórias caseiras por 2-0. O momento da decisão surge já no prolongamento da 2ª mão e, num lance bastante polémico, é Rolando quem dá a cabeçada para a Final. Os austríacos mereciam a presença na tão desejada mas a magia do desporto é assim mesmo e a sorte acabou por sorrir a quem menos a procurou.


Finalmente, Lyon! O que esperar?


"Ataques ganham jogos, defesas ganham títulos". A nossa opinião pode muito bem ser resumida nesta citação. Se há pouco elogiávamos a capacidade defensiva do Atlético de Madrid, o mesmo não pode ser dito sobre o Marselha. São uma equipa "à antiga", destemidos e libertos na hora de atacar, com pressa em chegar à baliza contrária, mas muito premiáveis na hora de travar as iniciativas do adversário. O comprimento do bloco é demasiado largo e pouco organizado, o que os torna bastante atraídos pelo movimento da bola.

Os franceses irão sentir tremendas dificuldades em impor a sua criatividade no último terço face à excelente organização tática do oponente e o Atlético irá explorar essa mesma incapacidade durante toda a partida. O controlo do meio campo acabará por surgir com o passar dos minutos e, com isso, as probabilidades de sucesso irão também elas disparar na mente dos homens de Simeone. A juntar a isso, as ausências de Rolando e Rami vão certamente fazer-se notar no eixo central, onde jogadores chave como Griezmann e Diego Costa poderão sentir o seu papel mais facilitado.

Seria de estranhar algo que não - nova conquista para o Atlético de Madrid - que deverá cimentar o seu poderio e experiência com uma vitória bem delineada, a nosso ver, por 2 golos de diferença. Ainda assim, o que não nos faltam são exemplos de grandes surpresas, nomeadamente no que toca a finais, e nesse seguimento contamos também com a vossa opinião sobre este desafio. 

A'Final, são ou não são favas contadas?

10 de maio de 2018

Novo capítulo de "Los Galáticos"?

Neymar negoceia com o Real Madrid numa transferência que poderá rondar os 260M de €.



Nos últimos dias, a imprensa internacional tem lançado aquela que, ao que tudo indica, será a grande novela do mercado de verão que se avizinha. Parece que a "batalha" perdida para o rival Barcelona em 2013, na luta pela contratação do fenómeno brasileiro, não fez Florentino Pérez recuar nas suas intenções de contar com os serviços do jogador. Apesar do clube francês não ver com bons olhos a saída prematura da principal figura do plantel, algo como 260M de € devem ter convencido os dirigentes a abrir negociações. 

Numa altura em que o Real Madrid poderá cimentar o seu domínio na principal competição da UEFA, com uma possível 3ª conquista consecutiva (todas na era Zidane), também se criam expetativas sobre o futuro de uma equipa cujo núcleo duro não durará uma eternidade. No final da temporada, Cristiano Ronaldo, Sérgio Ramos, Marcelo, Modric e Benzema estarão todos eles na casa dos 30 anos. É verdade que a qualidade continua intacta e que está criado um sistema perfeitamente enraizado onde todos eles parecem ter encontrado o seu propósito, mas o futebol vive de evolução e, a dado momento, até os melhores terão de se transformar a si próprios.

Parte da solução terá sempre de passar por trazer "sangue novo" e é aqui que entra Neymar da Silva Santos Júnior. Apesar de alguma discussão, as opiniões assemelham-se na hora de atribuir-lhe o papel de principal sucessor ao domínio criado por Lionel Messi e Cristiano Ronaldo no panorama individual. Cansado de viver na sombra do argentino, a passagem pelo PSG não terá sido apenas para confirmar o seu estatuto de estrela, mas também uma forma de ingressar nos blancos que dificilmente se concretizaria de outra forma.

Hoje em dia, já ninguém duvida que a aposta em Gareth Bale se revelou claramente falhada e o próprio deve estar de malas feitas para outras aventuras. Por outro lado, Neymar é exatamente aquilo a que eu chamo de "jogador à Real Madrid" - um atleta que além da sua natural e reconhecida qualidade, se destaca pelo seu carisma, postura high profile e consequente capacidade para mover uma geração inteira. Além disso, e razão pela qual os milhões nunca terem sido um problema para o colosso da capital espanhola, caso se confirme a transferência, os mesmos serão rapidamente repostos, tamanha é a magnitude de cartadas de marketing que abraçarão a ocasião.

Uma coisa parece certa, o futebol enquanto negócio continua a progredir de forma descontrolada para números astronómicos e os protagonistas/responsáveis teimam em não parar por aqui. Conseguirá Neymar elevar os sucessos do clube encabeçados pelo craque português nos últimos 9 anos? Irão os dois jogadores coexistir de forma pacífica ou ainda é cedo para Ronaldo ceder o protagonismo? Será certamente um novo capítulo a não perder.