13 de junho de 2018

Antevisão MLS 14 de Junho


Columbus Crew vs Atlanta United (00:30)



Com mais uma jornada da MLS a aproximar-se, está na altura de reflectir sobre alguns dos confrontos que se avizinham.

Começando pelo Columbus Crew vs Atlanta United, temos uma partida na qual se defrontam duas equipas que estão separadas por apenas 3 pontos na classificação da Conferência Este. Ambas mostram uma forma recente um tanto inconsistente, sendo que Atlanta vem de um jogo no terreno do NYCFC, no qual a equipa viu o seu plano de jogo completamente anulado pela oposição, não conseguindo fazer frente à pressão alta da turma do conhecido Patrick Vieira, naquele que foi o seu último jogo no comando dos Bronx Blues.


Assim sendo, este jogo frente a Columbus é uma importante oportunidade para a equipa do estado da Geórgia mostrar aos seus concorrentes que a sua posição na tabela não é mera sorte de principiante. Antecipa-se uma equipa de Atlanta com vontade de corrigir os erros da última partida, fazendo uso do seu bloco defensivo duro, combinado com um bloco atacante de elevada qualidade, onde se destacam nomes como Barco, o maestro de serviço, Martinez, o melhor marcador da edição actual da MLS, ou Almirón, que possui uma qualidade técnica claramente superior ao que é habitual ver neste campeonato. Sendo uma equipa que gosta de jogar em posse, é de esperar que joguem de forma a obrigar o seu adversário a correr atrás da bola, tentando manter-se no controlo da partida.

Já do lado de Columbus, temos uma equipa que se pauta pelo equilíbrio, uma característica que, aliás, foi possível observar no jogo anterior - e mesmo durante as campanhas vitoriosas de 2008 e 2009 - frente ao sempre avassaladores Red Bulls, onde conseguiram obter um empate. Apesar de não arriscarem demasiado, podem muito bem mudar o ritmo de jogo no último terço do terreno, algo a que a defesa do Atlanta terá que ter atenção, até porque os The Crew são um osso duro de roer quando jogam no seu próprio terreno.



Prognóstico: Será um bom jogo, que vai opor duas equipas de qualidade e com abordagens diferentes. Acreditamos que poderá terminar num empate com golos, sendo que não parece provável que a equipa da casa saia derrotada, embora a qualidade técnica do United tenha que ser levada em conta. Pensamos que podemos contar com um jogo que terá golos para ambos os lados, embora um resultado magro favorável a Columbus não seja totalmente de descartar. Um golo para Zardes poderá ser um bom mercado para apostadores mais ousados.






New York Red Bulls vs Seattle Sounders (01:00)




Red Bulls. O rolo compressor da MLS, pelo menos parece ser essa a opinião de quem vê esta equipa jogar. Embora falhem, por vezes, em situações onde não deviam, a equipa sediada em New Jersey (irónico, nós sabemos) espalha o terror nas defesas adversárias, não sendo fácil parar o seu ataque, por vezes sufocante, que tem o mais novo dos Wright-Phillips como estrela. Esta equipa joga com confiança e estilo, especialmente na Red Bull Arena, e tenta conquistar os espaços no terreno, fazendo por manter o domínio dos mesmos, causando dificuldades aos planos dos adversários. Vêm de um empate frente aos sempre complicados Columbus Crew e vão receber os Seattle Sounders, equipa que se vê, neste momento, numa situação bastante complicada e longe daquilo a que nos habituou durante as suas primeiras épocas de MLS.


Falando de Seattle, se um começo atribulado já não é exactamente uma novidade para a equipa do Evergreen State, o mesmo não se pode dizer da continuação dessa série. O habitual seria, por esta altura, a equipa recuperar do seu início e começar a amealhar pontos. Aquilo que se vê é, no entanto, o oposto, com os Sounders a perderem pontos de forma quase constante, mostrando-se sem capacidade de controlar o jogo, com pouca coesão na defesa e um bloco atacante que parece ter medo da própria sombra - são o pior ataque e a terceira equipa com menos remates executados.

Embora tenham saído vitoriosos do seu último jogo, há que salientar que a exibição correspondeu ao que foi escrito anteriormente e que o adversário em questão foi o D.C. United, outra equipa que tem sido capaz de exibições medonhas e acabará, quase certamente, nas profundezas da tabela.



Prognóstico: A não ser que se dê uma recuperação quase milagrosa, deverá ser um jogo tranquilo para os Red Bulls. A equipa das bebidas energéticas deverá controlar facilmente a partida, podendo mesmo ganhar asas e vencer por mais de 2 golos de diferença. Os Sounders deverão apostar no contra-ataque, talvez tentando estacionar o autocarro à frente da baliza caso o domínio dos Red Bulls deite por terra o plano de jogo. Apesar dos números, um golo dos Sounders não é totalmente descabido, até porque o recorde defensivo do seu adversário está longe de ser impressionante.

Em caso de mais um desaire para a equipa verde e azul, Brian Schmetzer poderá começar a ver a sua posição seriamente comprometida.






Toronto FC vs D.C. United (01:00)




Os actuais campeões da MLS entram em campo frente aos D.C., embalados por uma vitória frente aos Philadelphia Union. Uma equipa com muita qualidade, Toronto teve um início de época bastante frustrante, perdendo a final da CONCACAF Champions League para o C.D. Guadalajara, mais conhecido por Chivas. Tenha sido um quebra na moral como consequência da derrota, ou uma preparação de época mal organizada, o que é certo é que só agora esta equipa está a mostrar argumentos de campeão. Após vários jogos a espalhar pontos pela terra, cometendo erros que um grupo de campeões não pode cometer e a relaxar demasiado, o TFC mostra-se mais capaz, com mais garra e vontade de repetir o título da época transacta. Os próximos jogos mostrarão se estão para ficar ou se é apenas fogo de vista.


Do outro lado do relvado do BMO Field vai estar a equipa da capital Norte-Americana. Outrora temível e com nomes como Dwayne De Rosario, Ben Olsen (atual treinador), Jaime Moreno ou até mesmo a ex-promessa Freddy Adu, este grupo do D.C. não consegue assustar uma equipa da NPSL, quanto mais aos seus rivais da MLS.

Apesar de possuírem alguns jogadores com potencial, a qualidade actual destes não é suficiente para se superiorizarem aos adversários, pelo que terão que continuar a tentar marcar golos no contra-ataque e aproveitar distracções de adversários demasiado confiantes, pelo menos até adquirirem alguns reforços.



Prognóstico: Provável vitória para a equipa canadiana, possivelmente por 2 golos ou mais. No entanto, embora a qualidade e forma do D.C. United fale por si, existe a possibilidade de a equipa de Toronto voltar a cair no erro de confiar demasiado na vitória.

 Notícias e Outros Jogos

Optámos por realizar uma antevisão mais detalhada destas três partidas, pois parecem as mais seguras (mesmo dentro da habitual imprevisibilidade característica da MLS). No entanto, seguem algumas sugestões relativas aos restantes jogos.

Montreal Impact vs Orlando City: Deverá ser uma partida com, pelo menos, 2 golos. Orlando é uma equipa que, apesar da sua classificação, concretiza a um bom nível. "Ambas Marcam - Sim" e "+2.5 golos" podem ser mercados a serem explorados.

Colorado Rapids vs Chicago Fire: Os Rapids atravessam uma má fase, precisando desesperadamente de uma vitória para mudar o rumo às coisas. Não parece, no entanto, muito provável que isso aconteça. Os Fire, apesar de serem tudo menos deslumbrantes, têm boas hipóteses de sacar pontos, nem que seja um empate, na condição de forasteiros, marcando 1 ou 2 golos.

San Jose Earthquakes vs New England Revolution: Tal como os Rapids, os Quakes não parecem ter a vida fácil esta época. Com os Revs a jogar a um nível aceitável, é possível que os 3 pontos sigam na bagagem da equipa da Nova Inglaterra. Apesar de ser uma aposta de risco, é uma boa aposta de risco! Valerá a pena meter a moeda.

Como nota final, damos conta da saída de Patrick Vieira do comando do NYCFC. O ex-internacional gaulês abandonou a equipa do Bronx e juntou-se ao OGC Nice. Domenec Torrent, muitas vezes intitulado de "mão direita de Guardiola", é o senhor que se segue. Esperamos para ver que mudanças estes novos ventos trarão para os lados dos azuis de Nova Iorque.

12 de junho de 2018

FIFA World Cup 2018 - O que esperar!

Nesta 3ª e última parte, vamos deixar 5 acontecimentos must watch e que, na nossa opinião, serão parte integrante do desenrolar do Campeonato do Mundo. Além disso, vamos também lançar algumas bold predictions, com o "juízo" de 3 dos nossos colaboradores, de forma a que os nossos leitores se possam identificar com uma ou mais visões.







A vergonha de um povo cheio de esperança



O apoio da massa adepta, de uma nação inteira, dentro e fora do campo, é uma clara vantagem para quem joga em casa. Todavia, o caso da Rússia parece ser bastante diferente. Em decadência desde 2008, altura em que protagonizaram uma excelente campanha no Euro da Áustria/Suiça, a Seleção Russa continua a somar deceção atrás de deceção. Depois do Mundial de 2010, para o qual nem sequer se qualificou, as participações no Mundial de 2014 e nos Europeus de 2012 e 2016 foram para esquecer. A Taça das Confederações (2017) realizou-se também ela na Rússia mas, mais uma vez, o país de leste falhou em mostrar qualquer tipo de brilhantismo.

Fracas escolhas para treinadores, pouco desenvolvimento futebolístico e políticas de transferências bastante rígidas foram os principais fatores que levaram o universo russo a estagnar, ou mesmo a regredir face ao passado. Hoje em dia, apresentam um futebol sem ideias, sem qualquer tipo de química e/ou ligação e carentes de consistência defensiva. A receita parece preparada para o insucesso e apesar de um sorteio honestamente favorável, se o nível exibicional da equipa não subir de patamar, a qualificação para a próxima fase poderá mesmo estar em risco. 

O Egito parece-nos, neste momento, um conjunto capaz e motivado o suficiente para aspirar mais do que a fase de grupos e, caso não surja algum tipo influência/pressão para que as ambições caseiras sejam garantidas por outras vias, podemos ter aqui a 1ª surpresa da competição. A partida entre ambos será um ótimo teste ao espírito de "sobrevivência" de cada uma das seleções.

Bye Bye Martinez



Depois da aventura no futebol inglês e das experiências no Swansea, Wigan e Everton, Roberto Martinez foi chamado para liderar aquela que é considerada a melhor fornada belga de todos os tempos. Hazard, Lukaku, De Bruyne, Vertonghen e Courtois são apenas alguns dos nomes que "encabeçam" uma Seleção repleta de escolhas de qualidade em todos os setores. O desafio, ao que tudo indica, passará por "moldar" a mentalidade da equipa, de forma a que esta possa transmitir em campo aquilo que se espera dela e aquilo que é o seu potencial enorme.

No Euro 2016, a Bélgica acabou por ser batida de forma surpreendente pelo País de Gales, um adversário teoricamente menos capacitado, e essa terá sido a razão pela qual os dirigentes decidiram que havia necessidade de mudança. Com tamanha qualidade no seu plantel, os belgas não podem continuar a ser vistos como under dogs mas sim como favoritos de 1ª linha, caso contrário, esta geração terá sido completamente desperdiçada. Apesar de uma fase de qualificação quase perfeita, com 9 vitórias em 10 jogos, e um diferença de +37 golos, Roberto Martinez ainda não nos convenceu.

A equipa continua a jogar um futebol demasiado passivo, pouco pressionante e muito dependente dos movimentos de rotura de Eden Hazard. Ora, se o objetivo passa mesmo por apresentar uma candidatura ao troféu, será necessário outro tipo de armas e uma atitude muito mais atrevida. Talvez sejamos surpreendidos por uma Bélgica transfigurada na Rússia mas, do que vimos até agora, não nos parecem preparados para a ocasião e diríamos que voltarão a procurar nova alternativa após o Mundial.


"Mata mata" de 1ª ronda

O sorteio da fase de grupos, como sempre, ditou sortes diferentes para cada um dos participantes. Os jogos entre seleções de topo são obviamente os grandes "cabeças de cartaz" mas, na nossa ótima, há 2 confrontos menos mediáticos que poderão ter especial interesse.

Argentina x Islândia - A "Alviceleste" não atravessa, de todo, uma boa fase da sua história. O apuramento para o Mundial chegou mesmo a estar em risco e só foi conseguido em última instância. As escolhas dos atletas tão pouco geram consenso e aquela que foi finalista em 2014, agora parece-nos uma equipa bastante frágil e um alvo "apetecível" para os seus adversários. O futebol dos argentinos é muito pobre para aquilo que estávamos habituados e quem pode aproveitar é a Islândia, um conjunto que deu nas vistas no Europeu de 2016 e que já mostrou ser uma autêntica dor de cabeça pelo seu estilo aguerrido e excelente organização defensiva.

México x Suécia - No que toca a partidas entre "não candidatos" e que podem valer a qualificação para a próxima fase, esta é talvez a mais equilibrada. São duas equipas bem organizadas, competentes e que têm nos seus plantéis algumas figuras que podem assumir um grande protagonismo. Se os norte americanos podem contar com a veia goleadora de "Chicharito" Hernandez, os suecos jogarão ao ritmo de Emil Forsberg. Um embate muito imprevisível e cheio de oportunidades de golo, é aquilo que se espera. Os restantes membros do grupo são a Alemanha e a Coreia do Sul, portanto qualquer resultado positivo frente aos germânicos poderá ser também ele decisivo.

Um passeio de deixar os "olhos em bico"



Japão, Coreia do Sul e Austrália já são presença assídua nas fases finais dos Campeonatos do Mundo. No continente asiático, a competição é muito reduzida e há um enorme fosso de qualidade entre as seleções supracitadas e as restantes, o que facilita bastante o seu apuramento. Se à 1ª vista parece uma vantagem, as consequências acabam por ser algo decepcionantes. A ausência de adversários à altura e o objetivo básico de qualificação resultam em baixos índices de esforço e de ritmo, fatores que explicam a falta de competitividade para com países da Europa, Sul da América ou mesmo de África, onde já há se verifica maior equilíbrio.

A qualidade individual dos atletas em si até consegue rivalizar com outras seleções do Mundial, mas o grande défice começa no trabalho desenvolvido e acaba nos próprios treinadores. A diferença de ritmo de jogo - como já referimos, a dificuldade de adaptação e o facto de não estarem talhadas para "combate", tornam estas equipas soft e em "presas" fáceis para os adversários. As próprias filosofias asiáticas e, à exceção do Irão, a falta de trabalho e desenvolvimento de uma estrutura durante anos, não possibilitam uma real preparação para uma competição como esta. A maior prova disso mesmo está nos treinadores recém chegados e que assumiram o projeto somente este ano.

Ainda que o Japão e a Austrália pareçam ter chances acrescidas, a nossa expetativa é que nenhuma Seleção asiática irá marcar presença nos oitavos de final. Há ainda muito para evoluir e, para que esse progresso seja feito de forma sustentada, é necessário criar bases e uma mentalidade diferente e crescida desde a própria raiz. Não se avizinham anos muito "dourados" do outro lado do mundo.


Mundial e um "trampolim", quem salta?

Mais do que um simples torneio, o Campeonato do Mundo é o palco para onde estarão viradas todas as atenções, e quem mais poderá ganhar com isso são os próprios jogadores. Dentro das mais variadas hipóteses, escolhemos 3 atletas que entendemos serem aqueles que irão muito provavelmente "dar o salto" na sua carreira.

Pione Sisto - O jogador dinamarquês foi contratado este ano pelo Celta de Vigo ao Midtjylland por apenas 6M €. Extremo explosivo, velocista, com qualidade de drible e boa capacidade de trabalho coletivo, rapidamente se tornou numa das figuras principais da equipa. Em 34 jogos, anotou 4 golos e 10 assistências. Além disso, agarrou e cimentou a titularidade na Seleção dinamarquesa onde hoje é visto como um go to guy. O grande protagonista, claro, é Christian Eriksen mas a sua habilidade para desequilibrar, criar e desbloquear espaços não passa despercebida.

Hakim Ziyech - O médio criativo do Ajax foi um dos principais pilares da equipa que atingiu a Final da Liga Europa em 2017. Depois de muito "assédio", o jogador acabou surpreendentemente por ficar mais um ano em Amesterdão onde realizou, mais uma vez, uma fantástica temporada - 9 golos e 17 assistências foram os números. Um autêntico show man, capaz de levantar o estádio com a sua qualidade técnica, criatividade, remate e precisão nas bolas paradas. É a grande figura da Seleção marroquina e, apesar de não ter tido um sorteio favorável, tem a porta de saída escancarada para "voos" mais altos.

João Mário - O versátil médio português já é bem conhecido do nosso campeonato e a sua qualidade é inquestionável. Excelente criativo, acompanhado de um elevado QI, visão de jogo, qualidade de passe e bons atributos físicos, está no pico da idade e na altura de pisar os melhores palcos europeus. Desperdiçou um ano da sua carreira aquando da decisão de ingressar no Inter de Milão, uma vez que Spaletti não foi "à bola" com o jogador e não o incluiu nas primeiras opções. Em 14 jogos (apenas 5 como titular) concretizou 5 assistências para golo. A passagem pelo West Ham foi algo complicada devido à situação do próprio clube mas, ainda assim, não deixou de mostrar o seu talento. João Mário já revelou a sua decisão de não regressar a Itália e o Mundial poderá ser a montra ideal para a definição do seu futuro.



BOLD PREDICTIONS - PREVISÕES

Nesta secção iremos "brincar" um pouco ás previsões do que irá acontecer neste mundial e vamos dar a nossa opinião de quem serão os vencedores dos prémios atribuídos pela FIFA no fim do Torneio. De notar que 3 dessas previsões (Melhor ataque da prova, Melhor defesa da prova e Melhor Veterano) não são prémios oficiais, mas criámo-los para também vos ajudar na análise para apostas.






































































































































































MUITO OBRIGADO, DEIXEM A VOSSA OPINIÃO NO FACEBOOK!

8 de junho de 2018

FIFA World Cup 2018 - PORTUGAL


Esta é apenas a 7ª vez que Portugal vai disputar a fase final de um Campeonato do Mundo e, depois da glória inesquecível no Europeu de 2016, as esperanças parecem renovadas à partida para nova aventura. Será, portanto, interessante perceber o quão preparada poderá estar a nossa Seleção para corresponder à crença inabalável de uma Nação inteira.


A melhor classificação de sempre remonta já a 1966 e aos tempos dos "magriços" de Eusébio e companhia, onde a equipa se ficou pelo bronze. No novo milénio, o melhor resultado foi mesmo um 4º lugar no Mundial de 2006, na Alemanha. Se a história aqui é algo "pobre", a Seleção tem dado muito boa imagem de si nos Europeus. Em 5 edições desde 2000 (inclusive), contam-se: o famoso título em França, um amargo 2º lugar em território nacional (2004) e mais 2 presenças em semi finais (2000 e 2012).

Apesar de ser um pequeno país, Portugal e o futebol já estão relacionados e habituados a grandes nomes/referências, não só pelo talento dos seus atletas, mas também dos próprios treinadores. A era de Figo, Rui Costa, Fernando Couto, João Vieira Pinto, etc. foi quem mais prometeu, mas seria a gerarão de Cristiano Ronaldo, João Moutinho, Pepe e muitos outros que traria o maior motivo de felicidade aos portugueses, o 1º título internacional. Nas qualidades de técnico, José Mourinho é quem mais "salta à vista", pelo seu vasto e triunfante currículo, mas também ele está cada vez melhor acompanhado.



A 24 de Setembro de 2014, Fernando Santos assume o comando de uma Seleção que acabara de ser derrotada em casa pela Albânia - 1º jogo de qualificação para o Euro 2016. O Mundial no Brasil tinha sido um desastre e Portugal deixou a competição ainda na fase de grupos, ultrapassado pela Alemanha e Estados Unidos. O ambiente estava quebrado e desmoronou por completo no tal desaire contra a Albânia, jogo que marcou o fim do mandato de Paulo Bento que já há muito não gerava consenso. A verdade é que a chegada do engenheiro deu nova vida à Seleção das "Quinas". Nos restantes 7 jogos da qualificação, a equipa somou outras tantas vitórias e cimentou facilmente o 1º lugar do grupo. 

Já em França, as coisas nem começaram muito bem. Empates contra Islândia (1-1), Áustria (0-0) e Hungria (3-3) colocaram Portugal nos oitavos de final apenas como um dos melhores 3ºs posicionados da fase de grupos. A partida com a Croácia foi um autêntico desafio, uma dura "batalha", e a recompensa acabaria por aparecer já no prolongamento com um golo de Ricardo Quaresma (1-0). Nos quartos de final, Lewandowski ainda pregou um valente susto ao conjunto português, mas um disparo de Renato Sanches deixou tudo empatado e os penaltis acabariam por ditar nova passagem. O jogo menos complicado e, curiosamente, onde surgiu a 1ª vitória dentro dos 90 minutos, foi nas meias finais frente ao País de Gales (2-0). 

Os olhos estavam postos na grande Final e o adversário era nada mais, nada menos, do que a anfitriã e temível França. Esperavam-se muitas dificuldades e assim foi, logo a começar pela madrugadora lesão da maior figura da nossa Seleção - Cristiano Ronaldo. Foram longos minutos de "cortar a respiração", só um espírito de sacrifício e superação enorme foi capaz de conter a armada francesa, e depois... a história. Um herói improvável, numa passada larga, aguentou Koscielny, ganhou espaço e, ainda longe da baliza, fez o golo mais festejado de sempre por todos os portugueses. Éder fica nos livros e Portugal era finalmente Campeão da Europa.



Na qualificação para o Mundial da Rússia e, na chamada "ressaca" dos festejos, a Seleção portuguesa é derrotada logo na abertura frente à Suiça, 2-0 foi o resultado. Quanto ao resto do percurso, só se verificaram vitórias - totalizando 9, a juntar aos 32 golos marcados e apenas 4 sofridos. A equipa já nos habituou a um futebol muito pensado no "miolo", mais contido, linhas baixas e sempre à espreita do contra ataque. A chave está na qualidade do último passe, na precisão da transição ofensiva que nem sempre é tão rápida quanto isso e, claro, no fator Cristiano Ronaldo. A presença do melhor do mundo é fulcral, já que mesmo que o seu desempenho não seja o melhor, irá sempre atrair o adversário e, consequentemente, abrir espaços para o surgimento dos seus companheiros de ataque.

Em relação aos protagonistas que vão representar as cores nacionais no Mundial, há relativamente poucas mudanças. Rui Patrício continua a ser senhor e dono da baliza, enquanto que na defesa apenas falta decidir o companheiro de Pepe, lugar que será disputado entre o experiente José Fonte e o estreante Rúben Dias. Do lado esquerdo teremos Raphael Guerreiro, enquanto que à direira o bom Europeu de Cédric Soares deve valer-lhe a titularidade face a Ricardo Pereira. No meio campo começam as maiores dúvidas, mas William Carvalho e Bernardo Silva parecem ter o seu estatuto adquirido. João Moutinho e João Mário podem completar o quarteto, com Adrien e Bruno Fernandes à espreita da oportunidade. Na frente do "batalhão" estará Cristiano e ao seu lado a escolha passará por André Silva ou Gonçalo Guedes. As últimas e boas exibições do atacante do Valência podem, a nosso ver, ter convencido Fernando Santos.

A confiança dificilmente estaria mais elevada nesta altura, mas é preciso colocar algum "travão" nas expetativas porque não se avizinham desafios nada fáceis. É verdade que Portugal tem tudo para ultrapassar a fase de grupos, juntamente com a Espanha de Lopetegui, uma vez Marrocos e Irão não devem oferecer grande oposição. Em caso de passagem, o adversário virá do grupo A, onde estão Rússia, Uruguai, Egito e Arábia Saudita. Ao que nos parece, o provável confronto será com o Uruguai e Portugal volta a ter boas probabilidades de sucesso. Todavia, só uma enorme surpresa não colocaria a França na calha para os quartos de final. Não há histórias iguais e não nos parece que a Seleção portuguesa volte a ter tamanha "sorte" do seu lado, pelo menos nos mesmos termos. Um ótimo presságio seria a qualificação no 1º lugar do grupo, situação que (muito provavelmente) nos possibilitaria encontrar um dos grandes candidatos apenas na meia final.

Conseguirá o mister Fernando elevar a sua crença para o próximo nível? Tal como vocês, estamos ansiosos por descobrir. 

5 de junho de 2018

FIFA World Cup 2018 - Os Candidatos


Finalmente. Há 4 anos que o mundo do futebol aguardava por mais um momento como este, aquele que junta e agarra gerações e gerações ao sofá, que move meio planeta em prol de cada bandeira. Chegou o Campeonato Mundial FIFA 2018.


Serão 32 Seleções, 32 os países que se farão representar na Rússia e que irão disputar aquele que é o troféu máximo do futebol. Um enorme evento como este merece, está claro, os melhores protagonistas e as grandes decisões começam muito antes da partida. Só 736 atletas terão a oportunidade e a honra de vestir as cores da sua Seleção e estamos certos que as escolhas foram tudo, menos fáceis. Nainggolan ou Leroy Sané são nomes que obviamente causam algum "dissabor", como ausências difíceis de digerir, mas agora o importante será dar destaque a quem realmente poderá fazer valer a sua convocatória.

Esta será a 21ª edição da competição e, até hoje, são 8 os países que lograram levantar a "dourada" - Brasil (5 vezes), Itália (4), Alemanha (4), Argentina (2), Uruguai (2), França (1), Espanha (1) e Inglaterra (1). A última a consegui-lo foi a poderosa Mannschaft de Joachim Löw que, depois do sucesso no Brasil, apresenta nova e forte candidatura. Por falar em candidaturas, preparamos para ti uma breve análise daquelas que, para nós, serão as Seleções com mais capacidade para levar de vencido o troféu.


Alemanha



Os primeiros a merecer menção são os germânicos, diríamos nós, sem qualquer tipo de surpresa. Em 18 participações em Mundiais, são 4 as conquistas (1954, 1974, 1990 e 2014), 4 segundos lugares, 4 terceiros, e ainda os recordes de jogos disputados (106) e de golos marcados (224). A juntar a isto, podemos ainda destacar as vitórias nos Europeus de 1972, 1980 e 1996, e ainda uma inédita Taça das Confederações conquistada no ano transato. Não é difícil perceber que esta Seleção marca a sua história pela competência, consistência e por um vasto leque de excelentes plantéis.

Após receber o Mundial de 2006 em sua casa e de ter caído nas meias finais aos pés da futura campeã Itália, o então técnico auxiliar Joachim Löw ficou encarregue de assumir todas as despesas da equipa. Com um lote recheado de jovens de enorme talento, os anos que se seguiram podem muito bem ser retratados pela palavra "quase". Logo em 2008, A Alemanha marca presença na grande Final, mas sai derrotada com um golo de Fernando Torres; em 2010, na Africa do Sul, e depois de cilindrar a Inglaterra (4-1) e a Argentina (4-0), volta a cair frente à aos espanhóis, desta vez nas meias finais.

Mais uma grande competição - Euro 2012, mais uma vez apontada como principal favorita, a Alemanha volta a ficar "pendurada" nas meias finais, e o carrasco foi um velho conhecido, a Itália. A qualidade estava lá e notava-se que era apenas uma questão de tempo até os sucessos começarem a aparecer. Ainda assim, sabemos perfeitamente que a paciência não abunda no futebol e o tal "quase" não alimentava os adeptos. Finalmente, em 2014, os jogadores tranquilizam o país e trazem do Brasil o tão esperado título de campeões do mundo.

Segue-se o Euro 2016 e agora o favoritismo era dividido com a França, anfitriã do torneio. As duas Seleções marcaram encontro nas meias finais e o pragmatismo francês saiu por cima, 2 golos de Griezmann foram a história do encontro. Quanto à qualificação para esta nova edição na Rússia, as contas não podiam ser mais simples. Foram 10 jogos e... 10 vitórias! 43 golos marcados contra apenas 4 concedidos, um verdadeiro massacre. Já são 12 anos desde a chegada de Löw ao comando e podemos estar perto do fim de uma era, portanto também será interessante perceber se será este o último capítulo.


Principais pontos fortes: Sistema tático perfeitamente enraizado; Competência e compromisso com as ideias do treinador; Qualidade e objetividade na circulação de bola; Entrosamento - jogam quase de "olhos fechados".

Maiores lacunas: Desconcentração nas zonas mais recuadas em virtude do pendor ofensivo; Poucas opções para as laterais, escassos extremos puros e consequente falta de largura; Inexperiência defensiva (devido à saída de jogadores fundamentais como Philipp Lahm, por exemplo).

Jogadores chave: Manuel Neuer (dispensa apresentações, o início da construção começa aqui); Joshua Kimmich (lateral mais capaz do plantel e com faro de golo); Toni Kroos (a "âncora" da equipa, o espelho da precisão); Mesut Özil (o maestro, responsável pela definição do timing de ataque); Thomas Müller ("pau para toda a obra", muito importante nas tarefas e no esquema tático de Löw).

Candidatura: Depois daquilo que foi dito, seria algo "hipócrita" da nossa parte não colocar os germânicos no topo da hierarquia. Ainda que não sejam os únicos com argumentos para lá chegar, são aqueles que mais provas têm dadas da sua consistência. Nos tempos que correm, ainda há alguém que goste de apostar contra a Alemanha? Já diz o ditado - "o futebol são 11 contra 11, mas no final (...)". Sempre sincronizados com a baliza adversária, "frios" na hora da decisão e muita qualidade a mover a bola de pé para pé, é isto que nos reserva a temível Mannschaft na Rússia.

França



A Seleção francesa é talvez aquela que mais tem evoluído nos últimos anos. No passado mais recente, a história é esta: 3 vitórias (todas em 2014), 2 empates e 3 derrotas nos últimos 2 Mundiais; 6 vitórias (5 delas em 2016), 3 empates e 5 derrotas nos últimos 2 Europeus. O período 2008-2013 foi simplesmente terrível para os gauleses e há motivos para todos os "feitios". Domenech e Blanc foram os treinadores desse mesmo enredo e nunca conseguiram cativar a atenção dos seus jogadores, muito pelo contrário, uma vez que conflitos internos e falta de disciplina eram constantemente a ordem do dia.

Como se não bastasse, rumores de racismo e propagandas para serem convocados apenas "verdadeiros franceses" levaram ao rompimento total entre adeptos e a própria Seleção. As miseráveis campanhas nos Euros 2008 e 2012, e no Mundial de 2010 (onde a equipa nem sequer ultrapassou a fase de grupos) foram o culminar de uma fase manchada pelo fracasso. O revés surge com a chamada de Deschamps para comandar um "navio" que parecia longe de encontrar a sua rota. Um homem com ideias bem definidas e determinado a recuperar uma França envergonhada, fosse com quem fosse, acabou por ser a salvação que tanto se procurava. 

Aos poucos e poucos, a transformação ia sendo cada vez mais notória, o futebol apresentado já era apelidado de alto nível e, como da "água para o vinho", a Seleção francesa faz um excelente fase de grupos no Mundial de 2014. Já apontada como a principal favorita à vitória no Brasil, acaba por cair (num jogo extremamente renhido) aos pés da futura campeã, a Alemanha. Claro, nada disto seria possível sem a qualidade dos próprios atletas que é cada vez maior e diversa, as "dores de cabeça" que qualquer treinador gostaria de ter.

No Euro 2016 as expetativas já eram bem diferentes e, em França, ninguém esperava menos do que a conquista do troféu em solo nacional. O trajeto até à Final foi todo ele imaculado, sempre a mostrarem o porquê de serem um dos grandes favoritos, e faltava "apenas" a Seleção portuguesa. Arrogância e alguma falta de respeito fizeram daquele que contavam ser um jogo de "favas contadas", a maior desilusão da sua história. Ainda assim, e mesmo depois de um inesperado desaire, os índices anímicos estão no auge e tudo irão fazer para se sagrarem novamente campeões do mundo, 20 anos depois da 1ª conquista.

Principais pontos fortes: Opções de qualidade em abundância; Ataque temível; Jovens talentosos, fortes e muito rápidos; Capacidade explosiva.

Maiores lacunas: Pressão para terem de ganhar; Auto-confiança excessiva; Capacidade para aguentar avalanches ofensivas por parte de equipas com qualidade na circulação de bola; Conseguir com que todos os setores joguem de forma homogeneizada.

Jogadores chave: Raphael Varane e N'Golo Kanté (os grandes responsáveis pela competência defensiva da equipa); Paul Pogba ("motor" de ligação entre linhas); Antoine Griezmann (a figura da Seleção onde são depositadas as maiores esperanças); Kylian Mbappé (o "artista" de serviço).

Candidatura: Ao que nos parece, menos do que uma presença na Final será desapontante para aquilo que se espera deste conjunto. Quando aceleram, são uma equipa totalmente avassaladora e muito difícil de conter, principalmente nos flancos - onde se encontram os maiores desequilibradores. Deschamps dá especial liberdade ao ataque, "eles que se entendam", e a falta de egoísmo é um sinal mais para estes jovens que estão sedentos por triunfar. Os bleus são, na nossa opinião, a equipa com maior talento individual da competição, a par do Brasil talvez, e um encontro entre as duas Seleções pode muito bem acontecer nas meias finais. Um estilo mais talhado para o "mata mata" pode ser a chave para bater os canarinhos.

Espanha



Uma equipa de quem se esperam grandes coisas, mais uma vez, é a Espanha. Vencedores do Mundial de 2010 na África do Sul, os espanhóis foram ao Brasil mostrar uma faceta muito diferente. Má preparação, gestão ineficiente e um futebol sem ideias foram os dados lançados para o insucesso. Se as expetativas estavam altas, a realidade mostrou ser um autêntico desastre, com o conjunto a não ultrapassar sequer a fase de grupos. 

Passaram 2 anos e surge uma tentativa de renovar a Seleção, com uma data de caras novas e uma reformulada abordagem ao jogo. As coisas nem pareciam mal encaminhadas, contudo, uma excelente lição de contra-ataque imposta pela Itália de António Conte, travou os destinos espanhóis logo nos oitavos de final do Euro 2016. Chegou-se à conclusão que o problema seria Del Bosque, o seu esquema (fortemente aliado à potência Barcelona, diga-se) estava ultrapassado e era necessário uma mudança mais radical.

A solução foi Julen Lopetegui, uma cara bem conhecida e um ótimo professor da cultura futebolística espanhola - variação do tiki taka, se é que lhe podemos chamar assim. O seu histórico de trabalho com os escalões mais jovens da Seleção terá sido fator fundamental, uma vez que conta no currículo com a conquista de 3 Campeonatos da Europa, dois com os sub19 (2011 e 2012) e um com os sub21 (2013). Consequência disso mesmo, Lopetegui já trabalhou com várias figuras do atual plantel da Seleção Principal, casos de De Gea, Carvajal, koke, Thiago, Isco, etc. e isso terá certamente um papel importante na adaptação às novas ideias.

Quanto ao apuramento para o Mundial na Rússia, as contas são bastante simples de fazer. Foram 9 vitórias e 1 empate em 10 jogos, 36 golos marcados e apenas 3 sofridos. O grupo era demasiado acessível e o único adversário "de peso" era uma Itália que passava por um momento muito complicado, o que nos faz ficar algo reticentes quanto ao verdadeiro poderio desta equipa. Ainda assim, amigáveis contra França (vitória por 2-0), Alemanha (1-1) e Argentina (vitória por 6-1), onde foram anotadas excelentes exibições coletivas, fazem-nos colocar La Roja como uma séria candidata nesta altura.

Principais pontos fortes: Bloco organizacional; Automatização de processos; Circulação/posse de bola; Ataque prolífero baseado no 1º toque; Paciência e bom uso da criatividade; Capacidade para "caprichar" no último terço/passe.

Maiores lacunas:  Desconcentração em momentos de grande domínio; Debilidades defensivas; Capacidade para mudar o chip; Flexibilidade para corresponder aos vários momentos do jogo.

Jogadores chave: De Gea (um autêntico muro); Sergio Ramos (bolas paradas); Isco ("cérebro" da equipa); David Silva e Iniesta (aditivo de experiência); Diego Costa (o homem-golo); Marco Asensio (fator imprevisibilidade).

Candidatura: As expetativas parecem ser claras e prendem-se com um lugar na final four. Espera-se uma equipa que irá tentar dominar todos os jogos, independentemente do adversário, nunca abandonando a vontade de ter a bola na sua posse. O futebol dos espanhóis volta a destacar-se como sendo um dos mais atraentes da atualidade e parte disso deve-se à boa química entre os próprios jogadores que já somam muitos minutos juntos, logo a começar nos escalões de formação. Além disso, grande parte destes atletas joga no próprio campeonato espanhol, "dono e rei" do futebol europeu, e quase todos eles com lugar nos melhores planteis.

Brasil



É simplesmente impossível falar do Brasil sem saltar à memória aquilo que foram os anos 90 e o início do novo milénio. Saudades do "joga bonito"? Saudades de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Romário, Roberto Carlos, Cafú? A lista é interminável e quem a saberá melhor do que ninguém são os próprios brasileiros. A última grande conquista remete a 2002, no Mundial do Japão/Coreia, e apesar de vitórias na Copa América (2004 e 2007) e do tricampeonato na Taça das Confederações (2005, 2009 e 2013), a verdade é que os canarinhos têm vindo a perder relevância no panorama internacional.


O Campeonato do Mundo tem de ser um objetivo para uma Nação com tamanhas aspirações e, ainda que a qualidade dos jogadores continue a ser bastante elevada, a sua personalidade foi, por diversas vezes, colocada em causa. "Mercenários" - era assim que os adeptos se dirigiam aos atletas, acusando-os de não lutarem pelas cores do país como faziam pelos clubes que representavam. A situação piorava quando não existia uma voz de comando, já que, durante muitos anos, o Brasil não teve um técnico com qualidades para tal, um verdadeiro "chefão" que pudesse incentivar os mais jovens a criar uma base de disciplina e compromisso com o seu país. 

Na memória está também o fracasso no Mundial de 2014, do qual foram anfitriões, e que terminou em pesadelo com um histórico desaire por 7-1 frente à Alemanha. O Brasil demorou a perceber que a qualidade técnica, por si só, não chega e que é preciso muito mais do que isso. Ainda assim, parecem ter encontrado a solução perfeita. Tite, um dos homens mais respeitados do futebol brasileiro, foi quem aceitou o desafio. Como alguém que foge à regra, tendo em conta o seu estilo mais "europeu", Tire percebe o futebol como ninguém na América do Sul e, mais importante ainda, é um excelente gestor de pessoas, um reconhecido líder.

A sua primeira prova foi dada a nível interno e os resultados dificilmente poderiam ter sido melhores. 12 vitórias, 5 empates e 1 derrota, 41 golos marcados e 11 sofridos, foram estes os números apresentados numa qualificação conhecida por ser um autêntico "texas", quer pela qualidade das Seleções, quer pela própria competitividade adjacente. Além dos resultados, as exibições da equipa encheram o olho e convenceram grande parte do público, até porque a margem de progressão é enorme e tende a melhorar. Se é verdade que estão no bom caminho, a grande questão prende-se com a hipotética capacidade para competir com os atuais colossos vindos da Europa.

Principais pontos fortes: Talento ofensivo de luxo; Criatividade; Quando "ameaçados", sentem-se confortáveis a jogar no contra-ataque, mas também assumem o jogo quando o adversário quebra; Equilibro entre setores; Jogo a toda a largura do campo.

Maiores lacunas: Apesar de jogarem em contra-ataque, desposicionam-se com alguma facilidade; Falta de objetividade quanto têm controlo do jogo; Ausência de um número 9 puro, um "matador"; Alguma inexperiência enquanto equipa.

Jogadores chave: Alisson (quer fosse entregue a ele ou a Ederson, a baliza está muito bem guardada); Marcelo (compostura nas grandes decisões); Coutinho (a conexão entre o meio campo e o último terço cabe-lhe a ele); Neymar (um dos melhores do mundo, são mais de 200M os brasileiros às suas costas).

Candidatura: Apesar de, a nosso ver, serem um dos grandes candidatos, se não vencerem também não será um choque. Aquilo que se lhes é exigido são as meias finais da competição. O importante é cimentar o que tem vindo a ser construído e certamente que o sucesso aparecerá num futuro próximo. Uma equipa equilibrada e versátil, aliando a "ridícula" qualidade técnica a um espírito de combate e sacrifício, show é aquilo que se espera da Canarinha. Os níveis de confiança estão em alta e será difícil suster estes jogadores com o ritmo trazido dos principais clubes do mundo. Adaptabilidade ao desenrolar do torneio será a arma para o bom percurso desta Seleção.

Esta foi a nossa análise, vai de encontro com a tua opinião ou achas que outras Seleções podem ter um "trunfo na manga"? Como não queremos que te falte nada, daqui a uns dias iremos lançar a 2ª parte do nosso artigo onde vamos divulgar algumas previsões, tanto a título individual como a nível coletivo.